FOTOS – Marcos Morelli

No Dia Seguinte: a quase história da tevê brasileira

Hoje, nas minhas pesquisas, fui surpreendida com uma programação aqui em Curitiba que eu jamais saberia se não precisasse pesquisar. Quem ama arte, cultura, entretenimento, televisão, audiovisual, e qualquer pessoa que sabe valorizar cultura local adoraria uma peça teatral sobre a TV brasileira, não é mesmo?

E mais do que isso: uma peça sobre uma lenda da TV brasileira. Uma “quase história” do que poderia ter sido se tivesse sido verdade. Parece um bom roteiro. Parece uma excelente história. E é.

Está em cartaz no Teatro José Maria Santos, em Curitiba, a peça “No Dia Seguinte: a quase história da tevê brasileira”, do grupo Antropofocus.

A ideia é essa: a TV Ananhanguá é o primeiro canal de televisão do Brasil e convida você para a sua estreia. Está tudo ensaiado, marcado e coreografado para hoje. Mas e amanhã? Segundo a lenda, a tevê brasileira tinha programação para o dia da estreia e nada mais. Nada. Tiveram que improvisar toda a programação do dia seguinte.

Pode imaginar a confusão?

O Antropofocus pode. E transforma isso em comédia. O grupo pesquisa humor e improvisação em Curitiba desde outubro de 2000. São 25 anos, mais de 16 espetáculos, e uma referência nacional em improvisação teatral. O diretor, Andrei Moscheto, foi estudar com Keith Johnstone no Canadá, que é basicamente o pai da improvisação contemporânea no mundo. O cara foi buscar na fonte.
E a peça funciona assim: o primeiro ato tem roteiro fixo. O segundo ato começa com uma entrevista com alguém da plateia, e a partir dali é tudo improvisado. Cada sessão é única. Você nunca vai ver a mesma peça duas vezes. 90 minutos, classificação 12 anos.
Isso rendeu ao grupo 6 indicações ao Troféu Gralha Azul (o prêmio mais importante do teatro paranaense): Melhor Espetáculo, Melhor Texto, Melhor Direção, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Trilha Sonora e Melhor Figurino. E ganhou o de Melhor Atriz.

Agora, sobre o teatro: eu nunca tinha ido no José Maria Santos. E descobri que o prédio foi construído entre 1885 e 1890, como fábrica de tecidos. Ali funcionaram a Malharia Hoffman, a Malharia Curitibana, a Fábrica do Samba, o Teatro da Classe e o Teatro Treze de Maio. Em 1988 foi tombado como patrimônio histórico. Seria demolido se não fosse o empenho da classe artística. Em 1998 virou teatro público, incorporado ao Centro Cultural Teatro Guaíra, e recebeu o nome de José Maria Santos, ator paranaense que lutou pela preservação do espaço. A chaminé original da fábrica ainda está lá. São 162 lugares. Estarei lá para absorver toda a história daquelas paredes.

Serviço:

Temporada: 25 a 28 de junho e 2 a 4 de julho
Horários: quinta a sábado às 20h, domingo às 18h
Ingressos: R$ 50 (inteira) | R$ 25 (meia-entrada) | R$ 25 (fã com camiseta do Antropofocus) – Compre aqui
Onde: Teatro José Maria Santos, Curitiba
Meia-entrada: idosos, professores, estudantes, PCD, doadores de sangue (conforme Decreto nº 8.537/2015). Crianças de 0 a 4 anos não pagam, de 5 a 11 meia-entrada.

Vai lá. Uma tecnologia nova está estreando.

Patricia Pavoni

PATI PAVONI

Roteirista, Redatora e Criadora de Conteúdo

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